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quinta-feira, 25 de outubro de 2012

O ALIMENTO DAS BRUXAS

O que comiam as bruxas? Que bizarros pratos preparavam as assim chamadas “seguidoras de Satã” quando se encontravam no Sabá, seus festivais noturnos?
Estas perguntas se fizeram os inquisidores e os demonologistas renascentistas, empenhados em conhecer cada aspecto da prática da bruxaria.



A necessidade de definir até mesmo os detalhes mais insignificantes, aparentemente, surgiu a partir da necessidade de reconstruir meticulosamente o que foi considerado, juntamente com Turcos e Hebreus, a ameaça mais poderosa para a religião cristã; uma ameaça, é bem dizê-lo, nascida em um período de extrema insegurança social devido às guerras, epidemias, conflitos religiosos, profundas mudanças econômicas.
Por esta razão transformaram as bruxas na época do Renascimento em bode expiatório dos males que a justiça e a teologia podiam explicar somente recorrendo aos preconceitos antigos do milênio. Outrossim, não foi Eva que cedeu às lisonjas da serpente e convenceu a Adão a se alimentar do fruto proibido? Desde que foi a mulher a gerar o pecado original, as descendentes de Eva eram as principais culpadas e as maiores vítimas da caça às bruxas.

Sob a tortura, as mulheres acusadas de bruxaria admitiam toda sorte de crimes, sugeridos pelo inquisidor ou de sua própria fantasia: voo noturno, malefícios incríveis, magia sobre o tempo, sobre pessoas e sobre coisas, mesmo relacionamentos sexuais com o diabo.

Durante o interrogatório, as pessoas acusadas de participaram do Sabá descreviam cada aspecto deste banquete: quando foi, quem participou, quem levou o alimento e o que levou. Todas as informações contidas nos relatórios dos processos e nos tratados antibruxaria escritos entre o final de 1400 e o início de 1700. Analisando estes documentos, se descobre que a cozinha das bruxas era muito diversa daquela contidas em histórias populares e nas obras de arte, que descrevem poções preparadas com serpentes, sapos, insetos e outras coisas asquerosas indescritíveis. Se chegou ao ponto de acusar as bruxas de se alimentarem de carne humana; e talvez algo similar possa ter acontecido, em períodos de grave carestia. De fato, os últimos episódios de canibalismo na Europa são documentados nos anos de 1930 na URSS, quando houve uma das mais espantosas crises alimentares que a história recente se recorda.




 
Mas retornemos aos banquetes das bruxas. Tais documentos mostram que os festins, vale dizer os Sabás, aconteciam na maioria de vezes em particular correspondência às festividades, como 1° de Maio, Dia de Todos os Santos, da Candelária, da Páscoa, do Natal ou o Solstício de Verão. De acordo com as estações, o Sabá era realizado em um lugar fechado, perto de algum celeiro, ou a céu aberto, em localidades remotas como Passo del Tonale, o noce di Benevento, do Puy de Dome na Alvernia, o monte Brocken na Alemanha, o Blokula na Suécia, ou do templo pagão em ruínas mais próximo.

O alimento era levado às vezes por uma bruxa, às vezes pelo diabo em pessoa, contudo mais frequentemente era preparado coletivamente, matando um animal no local. Em um tratado inglês antibruxaria escrito no final de 1600, se diz que a bruxa “senta-se à mesa, onde não falte carnes delicadas a fim satisfazer a seu apetite; todas as delícias são trazidas em um piscar de olhos por espíritos que servem a assembleia”.
No célebre processo de 1692 contra as bruxas de Salem, na Nova Inglaterra, uma testemunha forneceu esta descrição: “quais coisas comiam na convenção. Responde [a acusada] que levou o pão e o queijo no bolso, e que antes da convenção se encontrou em companhia de Andover. Sentaram sob uma árvore e comeram, e matou sua sede bebendo em um córrego”.

Tal similar refeição faria rir as bruxas de Lancashire e de Somerset, na Inglaterra. Durante os processos contra elas, ocorridos respectivamente em 1613 e 1664, as testemunhas afirmaram que nas convenções se comia o pão com toicinho e carnes de boi e de carneiro assadas, bebiam ótimo vinho e boa cerveja e não faltavam doces estranhos e o acquavite.



Mesmo os diabos participavam pessoalmente da festa, porque os espíritos, era opinião comum, quando tomam aparência humana comem e bebem realmente, como também dançam, cantam, tocam instrumentos musicais e mesmo fazem amor.


Quase sempre, nos países Anglo-Saxônicos, as bruxas exaltavam a bondade dos alimentos preparados para o Sabá. Em vez disso, as bruxas do continente, embora seu menu fosse quase idêntico ao de suas colegas inglesas, se lamentavam frequentemente do sabor dos víveres: eram insípidos e frios, ou de aspecto convidativo, mas de sabor desagradável, quanto ao vinho e a cerveja eram geralmente ácidos. Além disso diziam que, embora comessem muitíssimo, assim que retornavam à casa eram atacadas por uma fome enorme, como se não houvessem comido de tudo.

Na Suécia, durante os Sabás era costume tomar sopa de repolhos e toicinho, pão de aveia coberto de manteiga, e finalmente leite e queijo. Também aqui, durante os processos, as bruxas confessaram que o sabor dos alimentos era às vezes muito bom, e de outras era péssimo.

Além do aspecto puramente social, no decorrer do Sabá se executavam danças acompanhadas de musicas festivas, mas em muitos casos resultava que se celebrava rituais obscenos o que não cabe aqui. Entretanto, rituais diabólicos ou festividades rurais que fossem, os juizes não estavam dispostos a atenuar, especialmente no período em que a caça às bruxas foi mais intensa. Entre o final de 1500 e a metade de 1600, os católicos e os protestantes, os religiosos e os laicos estavam determinados a combater a bruxaria e, prestando mais atenção à forma que ao conteúdo, cometeram o mais trágico dos erros de julgamento.

Relendo hoje o relatório do processo, nos perguntamos quantas vezes os inquisidores confundiram um piquenique banal ou uma festividade de vilarejo com um Sabá. E quantas daquelas manifestações folclóricas que ainda hoje alegram os finais de semana ou os feriados no campo, desapareceram com um golpe de esponja nas mãos dos juízes das cidades um tanto míopes, que nas máscaras do carnavalescos viram verdadeiros demônios e nas danças populares viram orgias satânicas?

Não são perguntas inúteis, se se acreditar que a história humana não segue sempre a estrada do progresso e da tolerância, e que frequentemente também a justiça sucumbe aos modismos culturais.

GiordanoBerti – 2007©
©Tradução de Lilia Palmeira – 2008/2012
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sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Arithmologia 5

O FOCO NO SI-MESMO


Focar a si mesmo não é o mesmo que ser egoísta, inacessível, ego-centrado.
Entramos aqui ao tópico da individualização responsável.
Para que seja possível tal coisa é necessário rever conceitos arraigados do dualismo em que vivemos: bem e mal, certo e errado, claro e escuro, luz e sombra. As polaridades existem em tudo porque estamos no plano dual da Existência. Assim como toda moeda tem dois lados tudo na existência tem duas polaridades: esquerda e direita, frente e verso, acima e abaixo. Nenhuma é melhor que a outra, elas são complementares. Não existe luz sem escuridão.

O propósito da Arithmognose é a limpeza das impurezas adquiridas através da sociedade, crenças e dogmas pessoais, religião, família, etc.
Esses fatores nos impedem de ver nosso íntimo e redescobrir nossa essência divina. Através dos arithmos podemos vislumbrar essa essência e fazer o trabalho de limpeza necessário para viver plenamente e ser verdadeiramente feliz.

Sem perceber ou por comodismo, a maioria das pessoas submete-se ao que poderia e deveria mudar em seu próprio beneficio. Ao se submeter gera uma autopunição que acredita merecer. Torna-se infeliz, amarga, insatisfeita e, geralmente, com alguma doença psicossomática. Acostumada desde a infância com a conduta de prêmio x castigo (outra polaridade), a pessoa não amadurece, continuando sob o jugo dos caprichos do ego, seja seu ou de outros, confundindo resignação com indiferença pela própria realização. Enquanto não se conscientizar das próprias potencialidades a pessoa continuará se aturdindo em conflitos de natureza destrutiva, ou fugindo para estados depressivos, mergulhando em psicoses de várias ordens, suprindo o vazio com pequenas coisinhas fúteis e tomando remédios para dormir ou se manter anestesiada.
Liberando-se das imagens errôneas a respeito da vida e de si mesma ela deve assumir a realidade do seu processo e superar os fatores de perturbação e de destruição.

Em vista disso, os requisitos básicos para iniciar a busca pelo autoconhecimento são:
·         Insatisfação com sua própria vida;
·         Desejo sincero de mudança;
·         Persistência na tentativa;
·         Disposição em aceitar a si e aos outros como são realmente;
·         Capacidade para amadurecer emocionalmente;
·         Coragem;
·         Estudo;
·         Disciplina;
·         Aplicação prática.


A experiência do autoconhecimento, já de início, ajuda a identificar os limites e as dependências, as aspirações verdadeiras e as falsas, os embustes do ego e as imposturas da ilusão. As coisas afins vibram numa mesma frequência e ao perceber e compreender essas vibrações as pessoas podem compreender também os tipos de pessoas e experiências que atrai continuamente. Perceber os ciclos inevitáveis pelos quais passa. Saber a hora certa de mudar algum aspecto de sua vida. Leva tempo, mas vale o esforço inicial.

Hoje em dia dos seis bilhões de habitantes deste pequeno ecossistema ao qual chamamos Terra, mas que prefiro denominar Gaia, 5/6 são insatisfeitos totalmente com suas existências. O restante é insatisfeito com algum aspecto. São os desejos da mente. Rajneesh explicou assim:

Você é A e quer ser B; você é pobre e quer ser rico; é feio e quer ser bonito; ou é estúpido e quer ser sábio. Qualquer que seja o querer, qualquer que seja o desejo, a forma é sempre esta: A quer se tornar B. o que quer que você seja, não está contente com isso. Para o contentamento é preciso algo mais: esta é a estrutura constante da mente que deseja. Quando você conseguir o que quer, de novo a mente dirá que isso não é suficiente, que algo mais é necessário. A mente sempre se move mais e mais. Aquilo que você consegue torna-se inútil. No momento em que o consegue, fica inútil. Isto é desejo.”[1]

Um estado de insatisfação e de conflito ronda a existência humana.
Esse estado não mudará ate que percebam que a necessidade interna, planetária e humana, se transformou. O que a vida material oferece não atende mais à demanda da humanidade. Ainda que a maioria não perceba ou não assuma, já foi tocada pela energia espiritual em vigor. E, enquanto a inércia dos corpos densos preponderar sobre esse novo estado interior haverá conflito nos seres e consequentemente em toda a face da Terra. Entretanto, o impossível inexiste para a Realidade. O que parece distante e inatingível aproxima-se quando o homem empreende a marcha em direção ao Ser, que desperta na consciência um amor que não pune, mas eleva; que não é complacente, mas indica o que deve ser superado.

Usando a Primeira Atenção já podemos identificar uma série de insatisfações, tais como com o corpo, com o trabalho, família, relacionamentos, sociedade, etc. Partindo daí vem o autoconhecimento propriamente dito e a necessidade de ver o íntimo e aceitar o que vê. Querer romper as amarras e amadurecer, coragem para romper o cordão umbilical energético a que foi imposto ou condicionado desde a infância.
As lições principais são trazidas à pessoa pelo seu próprio núcleo regente, em conjunção com guias e instrutores que o acompanham a partir de planos internos. Não são externos ou de egregoras. Mas para que sejam percebidas, praticadas e de fato apreendidas, é sempre necessário descentralizar-se do próprio ego.

É a mente (consciência sensorial) que percebe o mundo e que constantemente produz pensamentos descontrolados. Espiritualidade é o Despertar da Consciência que leva a Liberdade. Essa liberdade é obtida através de um processo gradual de transformação da consciência sensorial. Através da transformação da mente, experimenta-se um outro aspecto do ato de ser, onde o “EU” emerge da consciência e passa a direcionar seu Caminho.
A mente, com a vaidade que lhe é própria, costuma fazer com que a pessoa se considere num patamar do qual em realidade apenas principia a acercar-se. Por isso os verdadeiros místicos e os ocultistas alertam reiteradamente: a humildade deve estar presente em todas as etapas do caminho.

Só através do estudo vem a discriminação sobre o que estamos lendo e aprendendo. E isso vale para tudo o que estou escrevendo aqui.
Estudar, não apenas ler e achar “bacana”.

O conhecimento exige disciplina para estudar, praticar, pesquisar, organizar a própria vida e, persistindo nisso, alcançar a liberdade. Porém o esforço excessivo não ajuda, pois o estado de ânsia em alcançar ou conseguir algo cria barreiras. Alguns pequenos esforços são mais eficazes. É como mudar uma estante cheia de livros do lugar: tentar empurrá-la será quase impossível. Tirar todos os livros, colocar a estante no novo lugar e tornar a colocar os livros no lugar é mais fácil.

O ser que é cuidado não se preocupa em conhecer pelo menos um pouco do funcionamento das coisas. Desde que nascemos os pais cuidam, os professores cuidam, os médicos cuidam, os advogados cuidam, os economistas cuidam, os padres cuidam... O ser humano está mal acostumado a ser cuidado pelos outros sem conhecer ao menos a base das coisas, se esquecendo que mesmo perante as leis civis e criminais alegar desconhecimento não exime da responsabilidade.

Leonel Franca[2] disse certa vez:

A Verdade não é monopólio de ninguém; é patrimônio comum das inteligências”.

Eu complemento dizendo:

Conhecimento não é prerrogativa de alguns. É um direito e um dever de todos”.


Notas:
[1] O Livro dos Segredos – vol.I.
[2] Leonel Edgard da Silveira Franca, jesuíta brasileiro doutor em teologia e filosofia, professor de história da filosofia, psicologia experimental e química. Teve papel de destaque na fundação da PUC - Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro 

 
©Lília Palmeira, 2009, 2011.
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Arithmologia 4

TODAS AS COISAS SÃO ARITHMOS”.

Essa afirmativa de Pythágoras foi mal compreendida em sua época e ainda não é de todo entendida, mesmo por alguns estudiosos.

Coisa (cousa) hoje em dia é algo pejorativo, que não pode ser nomeada, mas para Pythágoras significava aquilo que existe ou o que pode existir, ou seja, se manifestar.
A manifestação de algo é a condensação da energia original que ele relacionou aos arithmos, as representações do Númeno, a Pura Idéia a que não corresponde nenhum objeto material.
Para ele o Conhecimento em si era místico porque era adquirido por meio de rememoração da psique (alma) de suas existências anteriores e de seus encontros com o mundo dos deuses e da música cósmica. E tudo isso pode ser decifrado através de fórmulas.
Podemos traduzir sua máxima como:

TUDO O QUE EXISTE É ENERGIA”.

Com isso ele quis dizer também que tudo tem seu valor e está intrinsecamente interligado.

Para os que não estão familiarizados com o conceito de fórmula, basta saber que é a expressão de um preceito, de uma regra ou de um princípio; além de uma expressão matemática, da mais pura Ciência cuja manifestação se dá através dos arithmos, razão pela qual nos alfabetos a cada letra corresponde um valor.
Arithmologia é a ciência que estuda as energias que compõem o mundo e os seres que o habitam de seus aspectos mais sutis e internos até os mais densos e periféricos e isso já era estudado pelos Antigos. O fato de Pythágoras ter adotado ou cunhado os termos usados até hoje não faz dele o inventor dessa ciência.

Como diz F. Chaboche em Vida e Mistérios dos Números:

Tradição viva, a ciência dos números é o arcabouço da gnose, e permanece essencialmente a mesma através das diferentes formas que pode assumir, quer expressa pelos Vedas e textos orientais (I Ching, Tão te King), ou pelas tradições célticas, caldéias, egípcias, hebraica (Cabala, Sepher Yetzirah), quer pelos mistérios de iniciação dos santuários subterrâneos (que iniciaram Pitágoras e Platão) ou por alguns padres da Igreja Católica (Fílon, Justino, Agostinho, entre outros), pelos herméticos, alquimistas e teólogos da Idade Média, pelos árabes alexandrinos... até pelas escolas de ocultismo dos séculos XIX e XX.”

Ao lidarmos com o cotidiano, porém, tudo isso nos passa absolutamente despercebido. Junto com o conhecimento é fundamental a atenção.
Atenção é fundamental ao autoconhecimento e ao conhecimento das coisas. Já parou para pensar no seu caminho de casa ao trabalho e vice-versa? Já reparou nele? Pode descrever seus detalhes?

Geralmente não! E assim é com tudo no cotidiano. Acordamos pensando no que tem para fazer naquele dia. Tomamos o desjejum pensando no que vestir. Fazemos nossa higiene pessoal sem olhar uma só vez para nosso corpo. Tentamos sempre esquecer o que nos incomoda ao invés de analisar. O ditado que diz “a pressa é inimiga da perfeição” está correto se levarmos em conta que agilidade não é pressa, dinamismo não é pressa. A pressa faz com que passemos por cima de detalhes importantes, inclusive pequenos prazeres no viver.

Atenção é estar Consciente. Através da Atenção chegamos nas causas dos pensamentos, sentimentos e atitudes. Nós temos três estágios de atenção. Adaptando Castañeda [1]:
O ego só trabalha na Primeira Atenção, a consciência "animal", primária: os sentidos, o raciocínio, os hábitos plantados. É o que somos como homens comuns. Deve ser desenvolvido e conhecido ao máximo, pois é esse desenvolvimento que transforma o homem comum em Guerreiro. Esse é o 'trabalhar a personalidade' que tantas filosofias dizem ser fundamental.
Na Segunda Atenção, o Guerreiro atinge um estado mais complexo e especializado do brilho da consciência de quem é, o que é, e da meta a ser atingida. A Segunda Atenção, para ser devidamente utilizada, requer quebra de hábitos, para o que se precisa de disciplina e concentração.
A Totalidade do ser é atingida quando o brilho da Consciência se transforma em Fogo Interior. É a união total dos opostos. O Desconhecido completamente Conhecido. A Terceira Atenção. E o ápice da Terceira Atenção, a Sabedoria unida ao Entendimento, é o único meio de ser, buscar e atingir o NADA”.



Essa é a meta a ser atingida. A total Consciência de quem somos, a felicidade de sermos e o compartilhar com o Todo/Nada prenhe de Vida.







 Notas:
[1] O CONHECIDO, O DESCONHECIDO E O INCOGNOSCÍVELUM ENSAIO SOBRE OS ENSINAMENTOS DE D. JUAN. Lília Palmeira – 2003, 2006. SOCIEDADE LAMATRONIKA®


©Lília Palmeira, 2009, 2011.
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Arithmologia 3

 

Para podermos iniciar um resgate da Arithmologia devemos compreender, mesmo em pequena escala, o que é Philosophia, o caminho que Pythágoras trilhou por toda a sua vida.

 

 

No sentido corrente na linguagem comum, filosofia é uma visão do mundo, uma concepção de vida que uma pessoa adota para o seu uso pessoal. Essa “filosofia de vida” é vulgar, egoica e exclusivista. A maioria dos assim chamados filósofos atuais é na verdade de pensadores que desenvolvem suas teses baseando-as em teses anteriores, ou seja, críticos. E definitivamente não é a mesma coisa a que os pitagóricos e platônicos se referiam.
Apesar de a forma verbal aparecer nos textos de Heródoto, de acordo com Cícero o criador do vocábulo no sentido metafísico foi o mestre de Samos. Nos conta Cícero que:

Quando o Príncipe Leonte perguntou a Pythágoras em que arte era versado, este respondeu-lhe que em nenhuma. Era um estudioso e amigo da Sabedoria, um philos-sophos (Tusc.disput, lib.V, 3)

O sentido da junção dos dois radicais gregos – Φίλος (Philos = Amigo) e Σοφία (Sophia = Sabedoria) – seria o de que o philósopho é um PRETENDENTE à Sabedoria, não um detentor de todo o saber.
Ao estudar a gênese da Philosophia vemos que o tema em torno do qual se constituiu a investigação filosófica é tríplice. Foi entendida como salvação na Índia, como ética na China e como saber na Grécia. E em todas as partes a reflexão filosófica sempre oscilou entre estes três temas, o Tripé Filosófico sobre o qual Pythágoras fundamentou sua escola unindo o mito ao racional através da Matemática.
O contato intelectual com os mitos e as explicações das ciências asiáticas e egípcias despertou definitivamente a mente grega para um novo tipo de pensamento – o racional, o lógico e o dedutivo.
Desse contexto nasceu a Escola de Mileto, a influência sobre Péricles, o surgimento da Athenas Clássica e Pythágoras com sua Arithmologia.

A CIÊNCIA SE MANIFESTA ATRAVÉS DE ARITHMOS

Os arithmos servem hoje de base para a nossa vida assim como no passado mais remoto; do cálculo mais elementar às modernas máquinas eletrônicas, tudo pode ser medido e definido por arithmos[1] (αριθμός). Os fenômenos naturais estão submetidos às Leis Matemáticas, logo toda a natureza é governada por uma mesma Lei. Os princípios cósmicos que alimentam a lógica do conhecimento tradicional contêm, além do Postulado Elementar, as conseqüentes Leis do Automatismo Universal. Estas leis têm sua expressão mais simples e exata na Arithmologia. Além de determinar quantidades, a linguagem dos arithmos estabelece a analogia simbólica da manifestação qualitativa da realidade.

O que é, no entanto, o arithmo, este conceito universalmente empregado de maneira tão geral (como número), que chega a se tornar abstrato?

Antes de qualquer coisa é importante estabelecer a diferença entre o Número divino e o número científico. De acordo com Patrick Paul:

Duas disciplinas coexistiam na antiguidade: a Arithmologia, Mística do Número, com tendência metafísica, que se ocupava do Número puro, concreto e criador, e a Aritmética, que tratava do número científico abstrato (da qual decorria uma outra aritmética, a do cálculo propriamente dito, destinada aos homens de negócios, porém relegada a um segundo plano)”.

Numen, a divindade, e Numerus, o número. Ambos têm a mesma raiz etimológica o que pode ter causado uma confusão no momento de traduzir textos antigos para o latim vulgar, pois como já foi mostrado, arithmo não se traduz por número necessariamente.
Eu acredito, apesar de não poder provar, que como outros inúmeros equívocos devido a traduções errôneas, o mesmo aconteceu com a tradução da palavra arithmo. Um equívoco básico ocorreu em tempos passados, não posso afirmar quando ou porque, com o significado ou a tradução de arithmo com “número” e não com “númeno”. No latim Nũminis é a vontade divina, o impulso da alma. O termo grego para o mesmo significado é Θειότης (Theiotes), derivado de deus.

Pois número se relaciona a quantidade e a Arithmologia é totalmente qualitativa. Para Pythágoras o Conhecimento em si é místico porque é adquirido por meio da rememoração da Psiquê[2] (Ψυχή) de suas existências anteriores e de seus encontros com o mundo dos deuses e da música cósmica.

Toda arithmologia tradicional se fundamenta na Unidade e suas frações e depois no retorno à Unidade. Tudo que emana do Uno ocorre pelo seu fracionamento e nos aparece em volume, pois é só pelo volume e pela duração que as coisas se tornam para nós sensivelmente compreensíveis.
Toda forma pode ser expressa por arithmos que, tal como os “arquétipos divinos, estão ocultos na estrutura do universo e só se manifestam a quem busca conhecimento e sabedoria ao mesmo tempo. Os arithmos são os arquétipos mais puros que introduzem a compreensão do Cosmo, que é o “Mundo ordenado”. Assim sendo a compreensão da Ordem Matemática, isto é, do Cosmo, passa por uma compreensão intuitiva do arithmo.

As descobertas científicas nos mostram que os movimentos vibratórios naturais, assim como os átomos obedecem a essa mesma Lei. O Cosmo na sua totalidade, o movimento das estrelas, dos planetas, dos cometas, etc, estão submetidos a ela. O Arithmo é a expressão da Lei, tal como esta Lei é a expressão da Harmonia Universal. Isso torna possível não só regular os fenômenos naturais, mas também o destino dos Homens.

Bertrand Russell certa vez afirmou que a ciência moderna está em vias de retornar às disciplinas pitagóricas. Ele estava se referindo às teorias como a da relatividade de Einstein, a da quanta de Max Planck, a da mecânica ondulatória de Louis de Broglie. Por volta do ano 100 d.c.  o neopitagórico Nicômachus de Gerasa disse:

Tudo o que a natureza arranjou sistematicamente no universo parece ter sido determinado e relacionado, em parte ou em conjunto, com o número (arithmo), de acordo com a previsão e o pensamento do criador de todas as coisas; pois o modelo foi estipulado, qual esquema preliminar, pelo número (arithmo) já previamente existente no espírito de uma divindade, criador do mundo, número-idéia[3] puramente imaterial sob todos os aspectos, mas que, ao mesmo tempo, forma a essência verdadeira e eterna. Assim, tal qual num plano artístico, todas as coisas foram criadas de acordo com o número (arithmo), inclusive o tempo, o movimento, os céus, os astros e todos os ciclos de todas as coisas”.

As coisas se tornam psicologicamente compreensíveis para nós pela comparação. Ao estudar mais profundamente as correspondências análogas ocultas nas coisas, podemos perceber que o caráter aparentemente fortuito das coisas deve-se à nossa ignorância das causas e das relações misteriosas que ligam os fenômenos. A noção de acaso repousa sobre essa incompreensão. Ela foi colocada em questão por diferentes autores modernos, como por exemplo, Jung e sua Teoria da Sincronicidade.
Como disse Éliphas Lévi em uma carta ao Barão Spedalieri:

A Alta Ciência compreende duas coisas: a palavra ou verbo e as obras, que são a última forma, ou o complemento do verbo. A ciência dos signos e de sua correspondência é uma iniciação à ciência da palavra; a ciência da luz e do fogo é o segredo das obras.
Ciência dos signos e de seus correspondentes é a Qabalah.
Ciência da luz é a magia; ciência do fogo, o hermetismo.
A ciência dos signos começa na ciência das letras.
As letras são idéias absolutas.
As idéias absolutas são números.
Os números (arithmos) são signos perfeitos.
Juntando as idéias aos números pode-se operar sobre as idéias como sobre os números e chegar à matemática da verdade.”

Há, portanto, um significado “oculto” na cifra de cada arithmo, bem como um simbolismo hermético nas figuras geométricas. E o que está oculto é a lei de correspondência com as leis gerais.

Pode-se dizer que a linguagem do Arithmo é a linguagem do Conhecimento. A pessoa que conseguir aprofundar a significação da Arithmologia, possuirá a chave de todos os segredos, pois o Arithmo abre não apenas o conhecimento das leis naturais, mas consiste também no único elo lógico e chave comum dos ensinamentos iniciáticos ou religiosos. Estudar o simbolismo existente na matemática significa penetrar na pesquisa da própria essência do Mundo, sem o risco das miragens dos sentimentos pessoais ou das especulações impossíveis de serem verificadas. Significa permanecer em contato com o pensamento coletivo dos iniciados, que repousa na observação natural e na lógica. Nas palavras de Jung:

Os números naturais, do ponto de vista psicológico, são por certo representações arquetípicas, pois somos obrigados a pensar sobre eles por um caminho determinado...” Em outros termos, “os números não são conceitos conscientemente inventados pelo homem com a finalidade de calcular. É evidente que são produtos espontâneos, autônomos, do inconsciente, tal como os outros símbolos arquetípicos”.

Em resumo, a Ciência, tradução do vocábulo grego Mathema[4] (Μάθημα), se manifesta através dos arithmos, energias específicas que interagem entre si e com o mundo físico. Seu estudo é a Arithmologia que por sua vez se subdivide em diversas matérias como, por exemplo, geometria, aritmética, física, medicina, psicologia, música, arquitetura, pintura, etc.
Entre os Antigos a mesma frase podia ser lida como uma proposição de geometria, de música, de estética geral, de cosmogonia ou de metafísica.



Notas:
[1] O termo ΑΡΙΘΜΟΣ  significa número, mas também duração, consideração, conta ou caso que se faz de alguma coisa; isso no grego moderno. Para o Autoconhecimento o arithmo é a essência, a energia irradiante das influências da própria Mathema.
[2] Alma; princípio vital no homem.
[3] Idéia como um tipo da perfeição, arquétipo.
[ 4 ] Μαθήμα (mathema) = Ciência, estudo. Matemático, para os antigos gregos, é tudo o que é relativo às ciências.

©Lília Palmeira, 2009, 2011.
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Arithmologia 2

 Um dos pontos importantes na busca pela Essência é o Propósito da Vida. Não estamos aqui apenas para passear, isto é função do robopata. A nossa é descobrir ou relembrar PARA QUE estamos aqui neste momento.

 

 
O impulso para compreender o Propósito da Vida é tão importante para o crescimento psíquico espiritual do ser humano quanto o comer bem é importante para a sua sobrevivência biológica. Nossa vida pode dar a impressão de ser um quebra-cabeça desarrumado: podemos acreditar que estamos aqui para “fazer alguma coisa”, mas não conseguimos captá-la. Para isso é fundamental conhecer sua própria natureza.

As etapas iniciais do processo de ampliação do nível de consciência podem ser simbolizadas como um gradual ingresso em uma caverna: a princípio se encontra na ‘claridade’ emanada pelo ambiente externo, mas numa etapa seguinte penetra numa completa escuridão. É quando não se coaduna mais com a ‘mesmice’ do ambiente externo e ainda não consegue distinguir completamente o que está por vir. É quando o medo surge e a grande maioria ‘desiste’ de sua busca sincera para cair na ilusão do exoterismo da ‘Nova Era’. O ingresso nesta caverna é simbólico, mas real.
A caverna subsiste até que sua certeza desperte. Esse desenvolvimento faz parte do aprendizado cotidiano para uma margem de liberdade que lhe permite Optar por aderir ao movimento evolutivo ou deixar-se envolver nas ilusões do nível onde se encontra polarizado.

O Propósito de Vida é aquilo que se tem o potencial para atingir e, portanto, faz parte da sua Essência e não da personalidade. O que fazemos com o potencial que temos depende, em sua maior parte, de nós mesmos. Existe uma diferença incomensurável entre o potencial interior de alguém e o que ele manifesta. Uma das tarefas cotidianas é reduzir a distância.
Não podemos recusar o Caminho, para onde quer que dirijamos nossos passos o Caminho aparece debaixo dos nossos pés. O MODO como caminhamos e o TEMPO que levamos para trilhar depende do nosso Livre Arbítrio e somente aí podemos interferir.

Astrologia, Numerologia, Quirologia, Tarologia, Psicologia e outras ciências mais ou menos formais são apenas utensílios, dispositivos de ajuda para o processo de autoconhecimento. Crenças e religiões são apenas suportes que auxiliam o processo. As técnicas ou práticas existentes são apenas os meios para se alcançar esse estado. A metodologia é individualizada, pois cada um deve se identificar com a técnica escolhida para tal. O conhecimento também é importante, pois o estudo das matérias propicia uma melhor compreensão do processo.
Porém nada disso é fundamental! São apenas métodos.
O fundamental é a Sinceridade.
Lembrando Saint-Exupéry: Sendo absolutamente sincero consigo mesmo não poderá ser falso com coisa alguma.

Portanto, não adianta pedir para outro fazer o nosso trabalho.
Não adianta apenas rezar e desejar uma vida melhor e de paz.
Não adianta pedir para um profissional esclarecer alguns pontos da sua vida e nada fazer com isso. Não adianta incluir ou retirar letras de um nome se, concomitantemente não for feito um trabalho interno. Não adianta saber se “sou um 3”ou “sou um 8” sem saber quais as energias que interagem e de que forma.
Não adianta tratar qualquer coisa superficialmente, pois ela vai voltar mais cedo ou mais tarde, da mesma forma ou de outra.

Mas o que é essa energia da qual todos falam?
A definição dos dicionários é simples: significa vigor. Para a Física energia é a propriedade dum sistema que lhe permite realizar um trabalho.
Ένέργεια (Energia) para os gregos é a força natural. Todos os objetos sólidos, incluindo o corpo humano, estão impregnados de um mundo fluido de energia radiante em movimento constante (vibração). Nossos corpos, assim como o corpo da Terra, são compostos de campos eletromagnéticos. Somos verdadeiras pilhas, como foi muito bem dito no filme Matrix.

Sobre o campo energético o Barão von Reichenbach afirmou em pleno Século XIX ter “descoberto emanações irradiadas de seres humanos, animais, plantas, magnetos e cristais”; W.J. Kilner acreditava que as doenças causavam mudanças na aura humana, e tentou criar meios de torná-la visível ao olhar comum como uma ajuda para a diagnose. Nenhum dos dois disse algo novo para os orientais, porém o homem atual é tão preso a sua prepotência que não gosta de admitir que “coisas” de um passado mais ou menos remoto sejam úteis, corretas e, por vezes, mais eficientes que o cabedal de conhecimento adquirido em seus cursos, mestrados e doutorados. Infelizmente os curiosos e pretensos profissionais “sérios” não ajudam a corrigir essa imagem distorcida.

Bárbara Brennan, cientista com Mestrado em Física Atmosférica, que nos últimos vinte anos vem estudando o campo da energia humana nos diz que, com todas as pesquisas feitas pelo mundo por cientistas de diversas áreas
   
fomos mergulhados num mundo de campos de energia vital, de campos de pensamentos e de formas bioplásmicas que se movem ao redor do corpo e dele emanam. Somos o próprio bioplasma, vibrante e radiante! Mas se consultarmos a literatura, veremos que isso não é novo. As pessoas têm conhecido esse fenômeno desde o alvorecer dos tempos. Acontece apenas que, hoje, o fenômeno está sendo redescoberto, depois de ter sido desconhecido ou rejeitado pelo público ocidental por algum tempo, durante o qual os cientistas se concentraram no conhecimento do mundo físico. À medida que esse conhecimento se desenvolveu, e a física newtoniana deu lugar às teorias da relatividade, do eletromagnetismo e das partículas, tornamo-nos cada vez mais capazes de vislumbrar as conexões entre as descrições científicas objetivas do nosso mundo e o mundo da experiência humana subjetiva”.


O campo de energia vital a que hoje chamamos Aura, termo latino que de acordo com Virgílio pode ter o significado de resplendor do ouro, mas que é traduzido como vibração, deriva do termo grego Αϋρα (Ayra = sopro de ar)[1]. Foi adotado em função de sua intima ligação com a respiração. A energia vital preenche o sistema psico-energético através da respiração, enquanto a respiração estimula o movimento da energia vital. Essa energia vital tem recebido nomes diversos em diferentes culturas no Oriente e no Ocidente: Chi, Ki, Mana, Prana, Od, Orgônio.
A Aura humana se “divide” em diversas camadas, por vezes chamadas corpos sutis que se interpenetram e cercam umas as outras em camadas sucessivas de substancias mais finas e vibrações mais altas conforme se afasta do corpo físico. Cada camada da aura está associada a um chakra.

Os Chakras[2] são centros de atividades da energia vital ou força sutil e apesar de não poderem ser descritos em termos de psicologia, fisiologia ou qualquer outra ciência física, estão inter-relacionados com os sistemas nervosos parassimpático, simpático e autônomo, e, conseqüentemente, todo o corpo está relacionado com eles. Os nervos são meros veículos, mas a mensagem é sutil. A conexão entre o denso e o sutil no organismo humano ocorre através dos condutores intermediários. A energia trabalha através dos nadis[3]. O conceito dos nadis é baseado na compreensão de que são canais – qualquer canal pelo qual flua alguma coisa é um nadi – e neste conceito se incluem os vasos, dutos ou canais densos (nadis dos sistemas cardiovasculares e linfáticos, os nervos, as veias e artérias) e os sutis (os meridianos da acupuntura).

Então a parte energética dos nossos corpos pode ser descrita com uma teia, onde as interseções são justamente os pontos da acupuntura e da acupressão.

Tudo isso é importante para se autoconhecer. E antes de qualquer outra coisa, nós devemos desenvolver nossa INDIVIDUAÇÃO.

E aqui uma observação.
Não confundir individualidade com egoísmo.
Indivíduo é a pessoa humana considerada em suas características particulares. O indiviso - aquele ser que não é dividido.
IN” como prefixo de negação sugere que o ser humano completo ou HOMEM não pode ser dividido em suas “partes”: Corpo, Mente/Emoção, Espírito são uma só Coisa.
O Indivíduo é responsável por suas palavras e ações. O Indivíduo é consciente. O Individuo sabe o que é Amor, por si e consequentemente por outros.

Portanto – não é fácil – mas é necessário se individualizar.
Ser não dividido é ser íntegro.
Ser Humano.


Notas
[1] Muitas palavras latinas foram traduzidas erroneamente em função da  fonética ou da grafia. Neste caso o u grego (ípsilon minúsculo) foi grafado como u mudando a pronúncia do termo.
[2] Chakra é uma palavra sânscrita que significa círculo e movimento.
[3] A palavra nadi vem da raiz sânscrita nad, significando movimento.

©Lília Palmeira, 2009, 2011.
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Arithmologia 1






Você está constantemente sonhando —
não somente à noite, não somente enquanto dorme: você está sonhando o dia inteiro.
Este é o primeiro ponto a ser compreendido.
Mesmo quando está acordado, ainda está sonhando”.
Rajneesh

Na verdade o homem está numa espécie de sono. Todo mundo está profundamente adormecido”.
Gurdjieff

O corpo é um só órgão e a vida uma só função”.
Hipócrates



O significado das palavras de quem quer que diga que o homem está dormindo, é que o homem não conhece a si-mesmo apesar de ‘achar’ que sim. Há que despertar para conhecer-se.


AUTOCONHECIMENTO é uma palavra que entra e sai de moda.
Mas o que é isso? Para que serve? Afinal qual é o propósito de se autoconhecer? O que tem a ver com espiritualidade? E com números?
Antes de qualquer coisa devemos desmistificar o termo.
A maioria das pessoas pensa que para “atingir” o autoconhecimento é obrigatório pertencer a alguma ordem, religião ou “grupo iniciático”. Porém é muito mais simples do que pensam. Só enquanto o homem não reconhece sua unidade com a essência interna, ele crê necessitar de um apoio externo e equilibrador em seus momentos de lutas. Nas fases iniciais do seu caminho pode ocorrer de um outro individuo servir de intermediário do que vem dos seus níveis profundos, mas chegará o momento em que ele deverá assumir esse caminho contando com aquilo que a vida interior lhe proporciona diretamente.
Para avançar, então, será necessário deixar para trás o que em etapas anteriores pode ter sido útil. Transcender vínculos humanos é, portanto, crucial à ascensão, ainda que certas pessoas quase sempre justifiquem seus apegos com fortes argumentos.


Na antiguidade, antes da Idade da Confusão – a tal da Kali Yuga[1] – não havia a separação, ainda que ilusória, entre ciência e religião. A Religiosidade era totalmente intrínseca ao cotidiano e ciência era apenas a linguagem utilizada para o entendimento e uso das forças sutis.
Com o Início da Kali Yuga, e lá se vão quase cinco mil anos, a separação se impôs entre os homens que passaram, então, a necessitar de atravessadores entre eles e a Divindade. É quando surge o Deus patriarcal e os dogmas.
Os poucos Homens detentores do Conhecimento Antigo o colocaram em fórmulas cifradas para que quando chegasse o tempo certo cada um pudesse alcançá-lo.


Um exemplo disso é o Aforismo inscrito nos pórticos do Oráculo de Delfos: Conhece-te a ti mesmo.[2]


Conhecer a si mesmo era, e ainda é, o meio mais rápido e certeiro de se atingir a liberação, iluminação, melhor qualidade de vida, ou seja, a Verdadeira Divindade.


Hoje em dia, já no final deste período lúgubre, com a aproximação de uma nova Idade de Ouro, o homem deve, mais uma vez, voltar-se para dentro em busca deste Conhecimento. Saber qual é o seu Propósito na Vida sem a influência direta da sociedade, dos dogmas e tradições familiares e religiosos. Saber filtrar o que faz parte da sua natureza e da sua personalidade. Todos sabem o quanto é difícil quebrar padrões e hábitos estabelecidos na criação e educação de uma pessoa. A dificuldade de divulgar coisas “novas” que esbarram na intransigência e incredulidade provocadas, talvez, pelo medo de olhar os dogmas pessoais. Cuidar do corpo e da mente, do espírito e da matéria. Procurar dentro o que os cientistas da Kali Yuga insistem em procurar fora.
Trabalhar com as energias afins e saber reverter ou neutralizar as contrárias.


Lewis Yablonsky cunhou o termo Robopatologia para explicar a espécie de patologia em que a maioria das pessoas vive. O robopata vive um tipo de vida mecânica, automatizada, repetitiva. Satisfaz as exigências do dia-a-dia, mas nunca satisfaz A Exigência Eterna. Cumpre suas “obrigações”, inclusive de ficar alegre, mas nunca está totalmente vivo. Não questiona as regras sociais. Uma característica visível é o ritualismo: fazer o que deve ser feito sem saber o porquê. Não se permite a dúvida – ele crê, não suspeita. É mais fácil crer porque dúvida cria o temor. Nunca para e se olha no espelho diretamente perguntando – QUEM SOU EU?


Quem somos realmente só o Íntimo de cada um pode responder. Nossa personalidade consiste de “roupas sobre roupas”. A palavra personalidade vem de uma raiz latina; “personæ”, significa máscara. Nós usamos várias durante a vida, porque para situações diferentes precisamos de diferentes atitudes. Nossa personalidade é feita de muitos rostos falsos, um “presente” da sociedade, dos pais, da escola, da cultura, da civilização onde estamos. Como disse Rajnnesh: É FALSO, NÃO É VOCÊ!! Essência é sua face original – sem máscaras. Essência é aquilo que você trouxe ao mundo quando nasceu, é um presente da EXISTÊNCIA para você.


Essa é a função das ciências – encontrar e decifrar as chaves que auxiliem o Homem a reencontrar sua essência. E é obrigação dos profissionais dizer a verdade aos que os procuram: que não é fácil, não existe fórmula mágica ou bula infalível externa ou genérica a não ser o autoconhecimento.
E para atingi-lo temos que Querer e ter Coragem. 

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Notas:
[1] Os antigos hindus, no período Védico descreveram quatro Idades seqüenciais e ininterruptas que eles chamavam yugas. O quarto e último período é a atual Era de Ferro – Kali Yuga – a Idade dos Conflitos com duração aproximada de 5.000 anos.

[2] Grego antigo: γνθι σεαυτόν, (transl. gnōthi seauton); também conhecido pela tradução em latim, nosce te ipsum. Segundo algumas fontes a frase é atribuida a Femonoe, primeira pitonisa deste oráculo.


©Lília Palmeira, 2009, 2011.
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